01/12/2008 20:56
Desmatamento: menos 72% até 2017
por Dal Marcondes
É muito pouco. O governo anunciou que o plano de metas para a redução do desmatamento na Amazônia é de menos 72% e o prazo é de oito anos. E até lá? O próprio presidente Lula disse em horário nobre que á preciso criar mecanismos mais eficazes de fiscalização e prevenção do desmatamento, não adianta criar plano e depois deixar nas mãos de um pobre fiscal do Ibama que nem gasolina tem no carro, disse.
Pois é, o plano de metas não contempla outros biomas e há problemas em todos eles. Em oito anos não dá para saber se vai sobrar alguma coisa do cerrado ou da caatinga. Mas o ministro Minc disse que em 2010 o governo vai pensar em metas para estes biomas. Tudo é muito lento. Na Polônia começa a reunião para se construir metas contra as mudanças climáticas. No entanto, Alemanha, Itália e a própria Polônia já querem rever suas metas estabelecidas voluntariamente, fruto das pressões econômicas da crise.
A tragédia de Santa Catarina pode nos ensinar muitas coisas. A principal delas é que postergar obras de prevenção de acidentes e não assumir compromissos de preservação MATA. (Envolverde)
enviada por Dal Marcondes
29/11/2008 17:45
Sustentabilidade por trás da crise

Co-fundador de empresas de consultoria na área de sustentabilidade, John Elkington afirma que a crise econômica é necessária para destruir alguns elementos da cultura global e que a mudança virá de pessoas vistas como loucas.
Autor de 17 livros, incluindo o Guia do Consumidor Verde, que vendeu um milhão de exemplares em 1988, John é uma autoridade mundial em responsabilidade corporativa e desenvolvimento sustentável. O empresário diz que para os empreendedores inovadores, situados à borda do sistema, será muito mais fácil aproveitar a desestruturação econômica dessa crise, pois não estão focados na antiga ordem. E acrescenta: Há dois anos, venho dizendo que a humanidade ruma em direção a uma descontinuidade econômica, e não a uma recessão.
Para John, o resultado da crise será devastador sobre o cidadão e a sustentabilidade. Muitas empresas a usarão como desculpa para cortar gastos e enxugar áreas, como as de saúde, segurança e meio ambiente. Os desafios atuais serão apenas enfrentados quando empresas, governos e cidadãos se alinharem em torno de uma meta comum. (Envolverde)
enviada por Dal Marcondes
29/11/2008 17:39
O inferno astral da Petrobras
por Dal Marcondes
Se a maior empresa do Brasil fosse uma pessoa e acreditasse em astrologia, eu diria que ela está atravessando um Inferno Astral. É aquele período em que nada parece dar certo. O primeiro movimento deste inferno astral se manifestou através da campanha articulada pelo Movimento Nossa São Paulo, Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e outras organizações para que a empresa passe a oferecer diesel com menos enxofre nas grandes cidades brasileiras. Durante quase todo o ano de 2008 os movimentos sociais pressionaram para que a empresa voltasse atrás em sua decisão de não cumprir uma norma do Conama que a obriga a reduzir o teor de enxofre do diesel. Segundo dados do Movimento Nossa São Paulo cerca de 3 mil pessoas morrem por ano nas grandes cidades brasileiras por conta da poluição provocada pelo combustível sujo.
No Brasil o diesel é vendido com 500 partes por milhão de enxofre. Deveria ter este percentual reduzido para 50 partes por milhão e não foi. Na Europa o diesel já é oferecido ao mercado com apenas 10 partes de enxofre por milhão. Esta briga já fez com que o Conar Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária mandasse a empresa retirar uma publicidade que estava sendo veiculada nos meios de comunicação. A publicidade exaltava as qualidades da Petrobrás como empresa sustentável.
Alguns dias depois a empresa iniciou uma nova batalha na Bolsa de Valores de São Paulo para se manter entre as empresas cotadas no ISE Índice de Sustentabilidade Bovespa. Bom, conseguiu no primeiro tempo, mas, esta semana saiu a nova relação de empresas que estarão cotadas neste índice em 2009 e a Petrobras não está entre elas.
Mas as infelicidades não terminam ai. Depois de anuncia as maiores descobertas de Petróleo deste século, no pré sal da Bacia de Santos, a empresa amarga agora o dano de imagem de ter de pedir dinheiro emprestado para a Caixa Econômica Federal para pagar impostos. Foram 2 bilhões de reais, certamente muito abaixo do que a empresa fatura. No entanto foi uma operação que chamou a atenção da sociedade e dos políticos de oposição. Com o valor do barril de petróleo abaixo de 100 dólares não vale a pena investir na exploração do petróleo abaixo da camada de sal. É muito caro.
Em uma reunião na Amazônia com representantes de diversas organizações dos movimentos sociais, muitas com projetos patrocinados pela Petrobras, os comentários sobre o futuro eram sombrios, principalmente porque a empresa já está anunciando que vai rever seus custos e diversos projetos deixaram de ser prioritários, ou sejam, não serão renovados e não terão recursos para continuar.
A Petrobras é a maior financiadora de projetos ambientais e culturais do Brasil. Sem seu apoio as perdas para estes setores serão sentidas. O gestores de ONGs com projetos pela empresa já estão buscando alternativas, mas nada e ninguém no Brasil tem cacife para bancar o volume de recursos que a Petrobras oferecia. O Programa Petrobras Ambiental, que não corre nenhum rico no momento, oferece para as ONGs ambientais 60 milhões de reais. Mas a empresa tem investimentos em projetos ambientais que chegam a 500 milhões de reais.
Recentemente, em outubro, a Petrobras foi uma das patricinadoras do Encontro Latino-Americano de Comunicação e Sustentabilidade, em São Paulo. Este encontro foi realizado pela Envolverde e reuniu especialistas em jornalismo e comunicação corporativa com foco em sustentabilidade. Nos bastidores se desenrolou uma saia justa. Estava prevista uma mesa para debater comunicação corporativa com a presença do ex-secretário de meio ambiente de São Paulo e coordenador do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas, Fabio Feldmann, e um representante da área de sustentabilidade da Petrobras. Não aconteceu. A Petrobras considerou que o local não era o foro adequado debater questões relacionadas ao diesel. A mesa foi desfeita e o mal estar entre palestrantes e organizadores ficou evidente.
A Petrobras é a maior empresa brasileira e foi criada a partir de uma grande mobilização da sociedade. O Brasil sem a empresa certamente seria menor do que é. A sociedade brasileira precisa entender o que é a Petrobras e participar dos debates sobre seu destino. Como disse recentemente o ambientalista Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica, a Petrobras é um patrimônio dos brasileiros e precisa ser resgatada em sua grandeza e dignidade. (Envolverde)
enviada por Dal Marcondes
26/11/2008 09:12
Petrobras excluída do ISE
por Dal Marcondes
Foi anunciado ontem que a Petrobras foi excluída do ISE (Índice de Sustentabilidade Bovespa). Foi uma vitória dos movimentos sociais que estava há mais de uma ano disputando com a empresa o cumprimento de resoluções do CONAMA em relação à redução do conteúdo de enxofre no diesel vendido nas grandes cidades brasileiras. Esta é uma decisão emblemática e sinaliza com muita clareza os limites da conduta sustentável.
Em seis de novembro foi encaminhada ao Conselho do ISE uma carta assinada por onze entidades: Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Estado de Minas Gerais, Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, Secretaria do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, Movimento Nossa São Paulo, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, SOS Mata Atlântica, Greenpeace-Brasil, Amigos da Terra Amazônia Brasileira, Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e Instituto Brasileiro de Advocacia Pública.
Estas organizações defendem a oferta imediata de diesel com baixo teor de enxofre. A Petrobras protelou a decisão de ofertar o combustível alegando que as montadoras de veículos não fizeram ainda as modificações necessárias para que os motores consumam este combustível mais limpo com ganhos significativos para o meio ambiente.
Este é mais um capítulo de uma troca de tiros entre organizações da sociedade civil e a Petrobras. A decisão do conselho do ISE vai provocar muita discussão ainda e mesmo o coordenador do Movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew, diz que lamenta que a Petrobras mantenha uma postura tão distante do diálogo com a sociedade.
O conflito entre a empresa e as organizações já teve diversos capítulos, inclusive com acordos firmados no Ministério Público e uma passagem anterior pelo conselho do ISE, quando a empresa conseguiu se manter entre as mais sustentáveis do Brasil.
Leia abaixo parte do histórico da mobilização pelo diesel limpo
Do site do Movimento Nossa São Paulo - A resolução 315/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) determina que, até janeiro de 2009, o diesel comercializado no Brasil contenha, no máximo, 50 partículas por milhão (ppm) de enxofre. A proporção hoje é de 500 ppm nas regiões metropolitanas e de 2000 ppm no interior. A substância, altamente cancerígena, é responsável pela morte de 3 mil pessoas somente na capital paulista. Em função disso, o Movimento se uniu a outras entidades para cobrar das autoridades federais e montadoras de veículos o cumprimento da resolução.
Entre outras ações, em setembro de 2007, foi realizado um debate que contou com a presença da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, do secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, e do secretário municipal do Meio Ambiente de São Paulo, Eduardo Jorge. Depois disso, as quase 400 organizações que integram o Movimento Nossa São Paulo assinaram uma representação no Ministério Público para que a resolução 315/2002 do Conama não sofra alterações nem adiamentos. Três semanas depois, a ANP divulgou as especificações técnicas para o diesel 50 ppm. Como consequência disso também foram realizadas audiências públicas na Câmara dos Deputados, das quais o Movimento participou como expositor.
Em abril de 2008, em sessão histórica, o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (CONAR) decidiu suspender dois anúncios da Petrobras por divulgarem a idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país. O Conar julgou ação movida por entidades governamentais e não-governamentais, como as secretarias estaduais de meio ambiente de São Paulo e Minas Gerais, do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o Greenpeace, a ONG Amigos da terra Amazônia Brasileira, o Instituto Akatu, o Movimento Nossa São Paulo, a SOS Mata Atlântica, a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável FBDS, e o IBAP Instituto Brasileiro de Advocacia Pública.
Em agosto e setembro, o Movimento participou de três reuniões no Ministério do Ambiente, em Brasília, com representantes do Governo Federal, da Petrobras, das montadoras de veículos, das distribuidoras de combustíveis, do Ministério Público Federal. O objetivo era negociar os prazos para o cumprimento da resolução do Conama. A Petrobras e as montadoras pediram o adiamento do prazo e propõem medidas compensatórias devido ao atraso. O Movimento Nossa São Paulo e o grupo de organizações que se mobilizam pelo diesel mais limpo continuam lutando para que janeiro de 2009 seja mantida como a data para entrar em vigor a distribuição do diesel S-50, por uma questão de saúde pública.
Em setembro, movido pelas pressões da sociedade civil, o Ministro Carlos Minc apresentou em reunião do Conama uma nota técnica na qual afirma que não vai encaminhar ao conselho flexibilizações ou postergações referentes à resolução 315 emitida pelo órgão em 2002. E apresentou nova proposta de resolução na qual antecipa para janeiro de 2012 a distribuição do diesel com 10 ppm S para todo o Brasil, como já ocorre na Europa. A previsão anterior era de que o diesel S-10 só seria comercializado em 2016. A proposta será submetida a votação.
Ainda em setembro, o juiz da 19ª Vara Federal de São Paulo, José Carlos Motta, concedeu liminar que obriga a Petrobras a fornecer o diesel com 50 partículas por milhão de enxofre (S-50) para os veículos novos que entrarem no mercado a partir de 01 de janeiro de 2009, em pelo menos uma bomba em cada posto de abastecimento. O juiz complementou a decisão determinando que o novo diesel deverá ter preço bem próximo do combustível atual. A ação civil pública foi proposta pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, para vigorar em todo o Estado, e complementada pelo Ministério Público Federal com solicitação para valer em todo o País.
Para pressionar as autoridades, as montadoras e as petrolíferas, o Movimento iniciou um abaixo-assinado. O documento foi entregue ao Ministro Carlos Minc, a embaixadas no Brasil dos países que sediam as principais montadoras de veículos a diesel, para conselheiros do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e para organismos nacionais e internacionais envolvidos com as questões de responsabilidade social empresarial e de direitos humanos.
Acordo põe fim à resolução 315/2002 do Conama
No dia 31 de outubro de 2008, contrariando os interesses públicos e a saúde da população que respira o ar contaminado nas grandes cidades brasileiras, um acordo (LINK) fechado às escuras, sem a participação da sociedade civil, adiou por mais quatro anos a comercialização do diesel com menos quantidade de enxofre. A decisão foi tomada na presença do Ministério Público Federal (MPF) e ocorreu entre o governo federal e representantes da Petrobras, da Fecombustível, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), do governo do estado de São Paulo, da Anfavea e das montadoras de motores.
O acordo fechado - e homologado (LINK) no dia 5 de novembro prevê que, a partir 1º de janeiro de 2009, passa a ser obrigatória a utilização do diesel S50 nas frotas cativas de ônibus urbanos dos municípios de São Paulo e Rio de Janeiro. Até 2011, gradativamente, a obrigação passa a valer para as cidades de Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e para as regiões metropolitanas de São Paulo, da Baixada Santista, Campinas, São José dos Campos e Rio de Janeiro.
Além disso, a Petrobras, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, substituirá totalmente a oferta do diesel com 2.000 ppm S por um novo diesel que conterá 1.800 ppm. E, somente a partir de janeiro de 2014, o diesel com 1.800 ppm S será trocado por um com 500 ppmS padrão exatamente igual ao comercializado atualmente nas regiões metropolitanas. Para o não cumprimento da Resolução 315/02 do Conama, montadoras de veículos e motores e a indústria do petróleo alegaram falta de tempo e de logística.
Na tentativa de compensar a sociedade brasileira pela morte de milhares de pessoas todos os anos e pelos custos ao serviço público de saúde, ficou decidido que a Petrobras e as montadoras terão de bancar projetos ambientais. As montadoras custearão a construção de um laboratório de testes de motores (R$ 12 milhões), uma pesquisa nacional sobre emissões de poluentes (R$ 500 mil) e a fiscalização da emissão da fumaça preta por ônibus e caminhões na cidade de SP (R$ 200 mil). Já a Petrobras mandará R$ 1 milhão para o sistema de fiscalização da emissão da fumaça de São Paulo."Quem vai se responsabilizar pelas doenças por causa do não-cumprimento da resolução?", reforçou Oded Grajew.
enviada por Dal Marcondes
23/11/2008 13:38
Trancoso: Comunicação da Comunidade
A comunidade de Trancoso, na Bahia, pede a criação de uma Parque Marinho para proteger uma das regiões de maior beleza e biodiversidade do Brasil. Já Existe projeto para a construção de um grande resort no local. Vale a pena conhecer esta luta e assistir este vídeo.
Dal Marcondes
enviada por Dal Marcondes
21/11/2008 11:59
Pedestres x carros: competição desigual
por Dal Marcondes
Com o crescimento do número de carros nas cidades, a relação com os pedestres fica, também, mais complicada. Em Uma cidade como São Paulo está cada vez mais difícil atravessar as ruas. Há falta de preparo dos motoristas em respeitar espaços destinados às pessoas que andam a pé, assim como há uma certa irresponsabilidade dos pedestres em relação à travessia de ruas e avenidas. São comuns cenas de carros estacionados sobre faixas de pedestres e motoristas que não respeitam os direitos dos cidadãos a pé em atravessar com segurança nestas faixas.
Da parte do poder público não há nenhuma iniciativa consistente em proteger os direitos dos pedestres e, nem mesmo, em melhorar as faixas, que utilizam conceitos defasados em relação à segurança da circulação de automóveis e pedestres. Um exemplo disso é a insistência em se colocar as faixas em esquinas, como continuidade das calçadas. Ora, o motorista que está virando em uma esquina tem de parar para dar preferência aos pedestres na faixa. Com isso também retém o fluxo de veículos que estão atrás dele e que vão seguir em frente e não virar.
Na avenida Paulista, em São Paulo, a última reforma considerou este ponto e colocou as faixas para pedestres distantes cerva de 20 metros da esquina. Isto é o suficiente para que o automóvel entre na avenida e pare antes da faixa para dar passagem aos pedestres. Este sistema deveria ser implantado na maior parte das ruas e avenidas das cidades, pois oferece mais segurança para carros e pedestres.
Mas voltando à questão das desigualdades entre motoristas e pedestres, ela é parte da equação do transporte e da qualidade de vida nas cidades. Hoje é praticamente impossível atravessar em uma faixa de pedestre que não tenha um semáforo. É uma disputa desleal e o pedestre sempre fica em desvantagem. O Estado, que deveria regular, fiscalizar e punir é o grande ausente nestas situações.
Uma vez escrevi um artigo onde dizia que é impossível ter um guarda em cada esquina, mas é perfeitamente possível ter um cidadão em cada veículo. Bom, continuo defendendo esta tese, mas acho que o Estado tem um papel importante em despertar este cidadão, com campanhas educativas, mais rigor na concessão de carteiras de motoristas, mais fiscalização nas ruas e mais multas.
Sempre que ouço um desavisado falando em indústria de multas fico pensando: se houvesse mesmo esta indústria o Estado ganharia pelo menos dez vezes mais dinheiro do que arrecada hoje com multas de trânsito. A impunidade é visível a todo momento. E o maior perigo se manifesta em locais onde deveria haver maior rigor no controle do comportamento dos motoristas, como próximo a feiras livres (local freqüentado principalmente por senhoras) e estações do Metrô, local de grande convergência de pedestres.
Todos os sábados têm uma feira livre próximo à minha casa, na Vila Madalena. Outro dia parei na esquina da feira, nas ruas Aspicuelta e Fradique Coutinho, e, em apenas cinco minutos presenciei 16 infrações de trânsito, algumas consideradas gravíssimas pelo Código Brasileiro de Trânsito. Freqüento esta feira e NUNCA vi fiscalização no local.
Utilizo a Estação Vila Madalena do Metrô. Afinal do terminal de ônibus, que dá na rua João Moura, tem uma faixa de pedestre. NUNCA vi nenhuma fiscalização no local, onde motoristas estacionam sobre a faixa e nenhum carro pára e dá passagem aos pedestres.
Bom, isto pode parecer uma richa pessoal, já que os exemplos são próximos à minha casa. Será que você leitor não tem nenhum exemplo próximo à sua casa ou em sua cidade? Comente aqui.
enviada por Dal Marcondes
17/11/2008 17:10
Não entendo as prioridades 2, o supercarro
por Dal Marcondes
Foto: Um carro com muita potência.
No Estadão deste domingo havia uma sobrecapa. Um anúncio de carro que com um chamado a pensar. Mas pensar em que? Havia cinco itens sobre os quais o publicitário queria que eu, supostamente um consumidor, pensasse:
1 Pense na potência Bom, minha reflexão sobre isto me fez lembrar um comentário da psicóloga Ana Verônica Mautner: o homem precisa do motor para carregar o pênis. A potência não é dele, é do carro. Acho que isto quer dizer que não comprarei um carro pela potência.
2 Pense na tecnologia Há tempos venho dizendo que precisamos rever os conceitos de tecnologia para automóveis. O carro mais econômico do Brasil (segundo o fabricante), pesa 830 quilos. Dez vezes mais do que eu. Bom, já me acho gordo tendo de carregar dez quilo a mais do que deveria. Porque tenho que me sentir feliz carregando dez vezes mais o meu peso apenas para me locomover. Acho que um carro poderia ser muito mais leve, precisando de muito menos combustível para se mover e, portanto, também menos potência.
3 Pense no conforto Gosto de conforto. Adoro me sentar bem para assistir TV, deitar na rede para ler um livro ou vestir roupas confortáveis. Mas o que significa conforto em um carro? Botões para fazer coisas como subir e baixar vidros, ajustar banco e espelhos? Bom, andar de carro já é um conforto, portanto, prefiro meu dinheiro em menos poluição, menos CO², menos espaço ocupado na cidade e mais autonomia em quilômetros por litro de combustível.
4 Pense em segurança Desta eu gostei. Assisti ao filme EU ROBÔ outro dia, estrelado pelo Will Smith. Muito legal, apesar de não ter quase nada a ver com a história original do Isaac Asimov. Bom, mas no filme o mocinho dirigia um carro que, ao bater, enchia a cabine com uma espuma que endurecia e protegia os ocupantes. Como ainda não chegamos lá, gostaria de ter airbags por todos os lados. Incrível é que o anúncio Falava em design arrojado, motor de ultima geração e que o carro tem dois arbags frontais. Nem um de ladinho, para proteger a gente de colisões em cruzamentos, estas coisa que acontecem nas cidades.
5 Pense Beleza Bem, neste caso pensei na beleza das minhas filhas, dos netos que ainda vou ter, da minha mulher. Todos que seriam beneficiados com menos poluição, mais segurança, menos potência etc.
Quando vamos fazer uma reflexão sobre o tipo de carro que precisamos? É um meio de transporte, deve ser leve, econômico, seguro, poluir o mínimo possível e emitir quase nada de CO². Tem Muita gente falando em combustíveis alternativos, eu já ficaria contente com veículos que conseguissem extrair mais de 50 quilômetros de um litro de gasolina de boa qualidade.
Vamos continuar a vender carros baseados na potência e na adrenalina para andar em cidades onde mal se engata a terceira marcha. As estatísticas de mortes no trânsito mostram quanto estamos estimulando a juventude a extrair potência dos motores e a pensar muito pouco em segurança, eficiência energética e estas coisinhas mais que tem a ver com futuro e qualidade de vida para todos, e não apenas para que está atrás do volantes de um supercarro. (Envolverde)
enviada por Dal Marcondes
16/11/2008 17:58
Não entendo as prioridades!
por Dal Marcondes
Ando com dificuldade para entender as prioridades do mundo. Na revista Época tem uma matéria falando de desburocratização para as empresas. O exemplo citado é a diminuição do tempo para abrir uma nova empresa, que agora pode ser de apenas 20 dias. Bom, me parece que o problema não é o tempo que se demora para abrir uma empresa, mas sim o tempo para fechar uma empresa, encerrar uma empresa que por algum motivo não deu certo. Ou porque o empreendedor não se preparou adequadamente para o novo negócio, ou porque o cenário de negócios mudou e a empresa não é mais competitiva.
Para abrir uma empresa uns dias a mais não representam problema. Deveria ser, inclusive, uma oportunidade para refletir sobre o negócio e entender qual é a burocracia e que caminhos deverão ser percorridos para garantir uma experiência empreendedora de sucesso. E precisamos de muitos empreendedores capazes de levar suas empresas com talento e competência. Mas o próprio Sebrae, que trabalha de forma muito capaz com empreendedorismo, diz que um empreendedor de sucesso chega a falir três vezes antes de emplacar um bom negócio. E muitos não retornam porque não conseguem encerrar a empresa antiga, tal é a burocracia para isto.
Claro que não defendo demora para abrir empresas, mas deveríamos olhar para os entraves que enfrentam pequenos e médios empreendedores para se livrarem de entraves e entulhos e seguirem em frente com novos negócios. Tratamos todos os empreendedores falidos como criminosos e sonegadores, como se os cenários econômicos do país e do mundo fossem absolutamente estáveis e facilitadores.
O Brasil precisa muito de novos empreendedores em todos os setores. É preciso olhar para eles de forma a facilitar tanto a entrada em um bom negócio, como a saída de um negócio fracassado. Empreender não é crime e também não é certo como a matemática. Tem de haver portas de entrada e de saída. (Envolverde)
enviada por Dal Marcondes
13/11/2008 10:59
Desenvolvimento Local, no local!
por Dal Marcondes
Minha maratona em torno de temas socioambientais em diversas partes do Brasil me trouxe agora a Cuiabá, onde está acontecendo a Expo Brasil, Desenvolvimento Local. É a 7ª edição do evento que tem três dias e centenas de atividades acontecendo paralelas com quase 9 mil inscritos. Ontem no espaço Central de Eventos do Pantanal, havia muita gente. Não saberia dizer quantas pessoas, mas muito mais do que tenho visto em eventos para discutir desenvolvimento sustentável em qualquer outro local do Brasil. Entre os patrocinadores, um é o de sempre, a Petrobras. Mas tem outros, como Sebrae, Banco do Nordeste, Furnas, Eletronorte e Banco da Amazônia.
Independente de quem está pagando, o evento me pegou de surpresa. Minha fala, às 17 horas de um dia que começou para os participantes às 7h30 da manhã, e sobre um tema mais técnico (Desafios Socioambientais no Brasil e o Papel da Comunicação) tinha certamente mais de 250 pessoas na sala, que ficaram até o final e ainda participaram de uma sessão de perguntas ( http://www.expobrasil.org.br/?q=pt-br/node/161 ). Muita gente interessada, gente que está trabalhando para criar alternativas de desenvolvimento local em lugares que a gente da cidade grande muitas vezes nunca ouviu nem falar.
Numa conversa com um jornalista da equipe da organização, que gravou uma entrevista comigo, falávamos sobre a importância de um evento como este. Pensei com meus botões sobre o papel dos eventos? O que eles devem representar para os participantes em termos de oferta de informação e interlocução? Tenho visto muitos eventos que são realizados em grandes centros do Sul/Sudeste com uma proposta de levar informação e conhecimento ao grande público. Recentemente a Envolverde mesmo realizou o Encontro Latino-Americano de Comunicação e Sustentabilidade, com a presença de 42 palestrantes e um nível de debates realmente muito elevado. Mas quantas pessoas foram? O auditório do Hotel Jaraguá no centro de São Paulo comportava 320 pessoas. Na média estavam cerca de 200 todo o tempo. Muitos lugares desocupados. E a opção de fazer em São Paulo era justamente para facilita o acesso das pessoas.
Em Cuiabá o evento é fora do eixo Sul/Sudeste, está lotado e tem salas onde depois de começar as palestras não pode entrar mais gente porque se esgotaram os lugares. Quem são estas pessoas ávidas por conhecimento e troca de informações? São pessoas que estão efetivamente trabalhando pelo desenvolvimento local em seus locais. Que precisam olhar em volta e ver que não estão sozinhas, que tem mais gente fazendo a mesma coisa, só que em outros locais. É gente buscando força em seus iguais. Estar na vanguarda é muito solitário. Quase não se vê ninguém à frente e do lado. A maioria está lá atrás.
Diante disso preciso fazer uma outra reflexão e mudar de idéia. No ano passado, em Porto Alegre, durante o II Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, defendo que a terceira edição fosse em Brasília em 2009. Os argumento eram os de praxe: mais público, estar perto do poder, facilidades de logística e organização. Eu estava errado. Venceu a proposta por Cuiabá. Hoje estou convencido de que fazer o III Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental em Cuiabá é uma grande idéia e uma forma de buscar mais integração entre a prática do jornalismo e a prática do desenvolvimento sustentável. Um dia os escritórios da Avenida Paulista vão entrar na luta pela sustentabilidade para valer, além do marketing e dos discursos. Enquanto isso vamos mostrar mais sobre desenvolvimento local e sustentável de verdade.
Saiba mais sobre a Expo Brasil em: www.expobrasil.org.br
enviada por Dal Marcondes
10/11/2008 15:20
Horizonte das mudanças

por Dal Marcondes*
Desde que a crise financeira global foi deflagrada crescem as apostas sobre quanto tempo vai durar e como ficarão os mercados depois de passada a tormenta. Conversando com um dos principais editores de publicações para o mercado financeiro, que está acompanhando muito de perto as reações de investidores e profissionais de Relações com Investidores (RI), fica a impressão de que a crise é mais profunda do que aparenta. No entanto, o olhar dele é direto no olho do furacão, no centro nervoso das perdas financeiras.
Por outro lado tenho conversado com empresários e executivos que atuam na produção e na prestação de serviços, longe do setor financeiro, e a percepção é outra. Há claramente o receio em relação ao aperto no crédito, mas não existe a sensação de fim de mundo que assolou o mercado financeiro. Em todas as falas, no entanto, há claramente a consciência de que nada será como antes. O Estado, esta entidade que deveria ser mínima conforme pregavam os liberais e neoliberais de ontem, agora deve ter poder regulatório, dizem aqueles que saltaram nos botes salva-vidas lançados pelos governos ao redor do mundo.
A grande discussão que vai emergir desta crise, e que já está presente em debates nas salas de reuniões do G20 em São Paulo, e certamente vai se aprofundar nos corredores e conversas em Washington, com a reunião do G8 + G20, é qual é o papel do Estado neste novo cenário. O governo de saída nos EUA, que durante oito anos pregou a liberdade absoluta dos mercados, já multiplicou várias vezes seu déficit público para salvar bancos e empresas. O mesmo está acontecendo na Europa, onde o Estado do bem estar social era criticado como perdulário. Hoje se pergunta: ser perdulário é investir em educação e saúde públicas ou gastar bilhões e bilhões de dinheiros para salvar empresas.
O mundo não será como antes, mas principalmente o Estado não vai mais soltar as rédeas da economia como antes. O ex-ministro Delfim Neto, que já foi chamado de czar da economia brasileira, perguntado sobre a crise em seus primeiros momentos respondeu com calma: Não se preocupem senhores, o Estado os salvará. Delfim tinha a segurança de saber que nestes momentos apenas os governos tem cacife para bancar as medidas necessárias.
O Brasil vem Investindo fortemente em obras de infra-estrutura. É a receita do Estado brasileiro para evitar um colapso na economia. Uma economia que, diga-se de passagem, está muito mais fortalecida e capaz de suportar baques do que nos tristes anos 70, 80 e 90. Brasil nunca suportou tão bem uma crise global. Exceção feita a umas poucas empresas que estavam especulando no mercado futuro de câmbio, e que não foram competentes o suficiente para avaliar os riscos, o País como um todo está com boa saúde.
E como fica a sustentabilidade nesta história? Bem obrigado. Empresas transparentes e com alto grau de governança estão enfrentando bem os golpes das bolsas. A maioria das empresas cotadas em índices de sustentabilidade, na Bovespa e no Dow Jones, que têm relatórios e posturas corretas em relação aos acionistas, conseguiu passar com menos perdas nos primeiros dias da crise. Têm, também, boas possibilidades de reverter rapidamente os prejuízos.
Entre os apostadores do tempo de duração da crise, fico com os de curta duração. O Estado está garantindo isso ao redor do mundo. É preciso, No entanto, agir com rigor contra a especulação do quanto pior, melhor.
*O autor é diretor editorial da Envolverde.
enviada por Dal Marcondes
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Dal Marcondes é editor da Envolverde, um site especializado em Meio Ambiente e Sustentabilidade. Durante muitos anos foi editor de economia em alguns dos principais jornais e revistas brasileiros. Seu interesse em meio ambiente vem deste os anos 70, quando foi para a Amazônia para não servir ao Exército. Na época havia uma ditadura militar no Brasil.