Envolverde - por Dal Marcondes

25/01/2009 22:34

Este blog vai sair do ar!

Amigos, infelizmente este blog vai sair do ar.
Vou continuar a publicar meus comentários em outro blog, dos leitores da Envolverde.
Convido todos a participar: http://leitorenvolverde.blogspot.com/
enviada por Dal Marcondes



21/01/2009 10:41

Semana que vem, em Belém!

Caros, na próxima semana eu estarei em Belém, para o Fórum Social Mundial. Já participei de outras edições do FSM, mas esta primeira na Amazônia certamente reservará surpresas. Vou me incorporar mais uma vez à equipe do Terra Viva, que atua como o diário do FSM. São jornalistas de diversos países que se reúnem, sob a coordenação da agência IPS, para dar um olhar multiétnico, multicultural e multitudo sobre as coisas que acontecem antes, durante e depois do evento.

No site da Envolverde (www.envolverde.com.br) vamos publicar artigos e reportagens sobre o Fórum. Neste Blog vamos fazer um trabalho muito interativo, com comentários, fotos e textos mais leves falando de tudo o que estará acontecendo em Belém. Vai ser uma experiência muito interessante este primeiro FSM da Amazônia.

Vários companheiros e colaboradores também vão produzir textos e imagens para a Envolverde e estamos aceitando contribuições de colegas que vão a Belém ou que queiram escrever comentando.

Estaremos a postos para trazer tudo o que de importante vai acontecer nesta edição do Fórum Social Mundial.

Vamos tornar esta cobertura muito interativa. Comentem, perguntem, participem.

Abs
Dal Marcondes

enviada por Dal Marcondes



20/01/2009 09:45

O primeiro dia do futuro

Por Dal Marcondes


Hoje toma posse Barak Obama, talvez o presidente dos Estados Unidos que mais conhece a periferia do planeta. Não por ser negro, mas por ter vivido fora do país e ter tido a oportunidade de ver como vivem as pessoas que não são norte-americanas, principalmente na Indonésia e na África.

Obama disse muitas coisas. Vai ter muito trabalho para consertar os estragos que seu antecessor fez não apenas aos Estados Unidos, mas a todo o planeta. O que se espera e o que se pode esperar deste novo governo é uma cara menos “pit bull”. Mais diálogo e menos marines.

Sob o ponto de vista ambiental ele prometeu pesados investimentos em energias alternativas para diminuir a dependência do petróleo do Oriente Médio. Isso é bom por dois lados: o primeiro é que os EUA são os maiores consumidores de energia do mundo, se eles resolvem adotar formas limpas de mover suas máquinas e esquentar suas casas o mundo receberá uma carga bem menos de CO²; por outro lado, se dependerem menos do petróleo do Oriente Médio talvez tenham menor propensão a entrar em guerras na região.

Neste primeiro dia do futuro será uma grande festa, Deve ter sido parecido quando Roma trocava de imperador. O mundo inteiro ficava apreensivo sobre seus desejos. Certamente uma das grandes expectativas é sobre a posição dos americanos na COP 15, de Copenhagen, que acontecerá este ano, e que vai tratar do aquecimento global. Será de 7 a 18 de dezembro e vai começar a definir as metas de redução de emissão de gases de efeito estufa para vigorarem após 2012. O destino de vários países baixos e insulares, alem de vastas regiiões costeiras, depende de compromissos rígidos para Estados Unidos, China, Brasil e outros grandes emissores.

Sempre penso no futuro não como um tempo, mas como um lugar. Um lugar onde as pessoas vão ter de viver, trabalhar, amar e levar a vida. O futuro da terra com Obama será um bom lugar para se viver? Eu estou entre os que apostam que sim. A administração norte-americana, sob o ponto de vista da máquina do governo, está herdando a experiência do governo Clinton, que conseguiu grandes avanços econômicos em tempos de relativa paz (eles nunca ficaram sem nenhuma guerra).

Terá os partidários do Al Gore, que ao menos sabe o que está acontecendo com o planeta sob o ponto de vista climático. E terá uma diplomacia que vai buscar conversar com o mundo. Acho que as chances de um tempo menos violento são boas. O mundo precisa de um pouco de paz para colocar a casa em ordem.

Sob o ponto de vista da economia global nunca foi mais oportuno dar andamento à Rodada de Doha, que pretende reduzir ou eliminar subsídios agrícolas oferecidos por governos da Europa e EUA. Sem estes subsídios produtos africanos, asiáticos e latino-americanos podem ganhar competitividade. Isto quer dizer dinheiro para estes países através de um comércio mais justo e sem barreiras artificiais de preço ou sanitárias.

O primeiro dia do futuro é de festa. O mundo comemora Obama porque sabe que ele é o presidente dos americanos, mas é, também, o imperador do mundo. Se vê nele a figura do déspota esclarecido, capaz de exercer seu papel de forma honrada.

Governantes de todo o mundo esperam do novo imperador a liberdade para governar seus territórios e justiça na gestão dos fluxos globais de dinheiro, mercadorias e pessoas.

AVE OBAMA, a Terra espera tua Justiça!!

Dal Marcondes é jornalista, recebeu por duas vezes o Prêmio Ethos de Jornalismo.

enviada por Dal Marcondes



19/01/2009 17:06

Na semana que vem, em Belém!

por Dal Marcondes


O Fórum Social Mundial voltou ao Brasil. Não será em Porto Alegre, onde nasceu e teve algumas de suas mais exuberantes edições. Desta vez será na Amazônia, em Belém, capital do Pará. A idéia certamente é colocar a Amazônia no centro dos debates, com a participação de ongs e movimentos sociais que atuam na região, povos tradicionais e, também, com um olhar mais próximo sobre o modelo de economia que está sendo praticado lá. Sou um repórter que vai muito à Amazônia. Apenas em 2008 estive na região umas dez vezes, alem de estar envolvido com diversos movimentos nacionais e regionais sobre a Amazônia. Por isso não posso negar a importância de se realizar o FSM lá.

No entanto, me parece que um outro tema deve ser relevante nas discussões do Fórum. Esta semana um amigo engenheiro, que tem uma atividade ambientalista focada na recuperação de áreas degradadas, me perguntou “para que serve o FSM?”. Eu já participei de algumas edições e tive de parar para pensar. Como dar uma resposta para quem não está envolvido diretamente? Bom, me parece que o Fórum serve para debater tremas estruturais do processo civilizatório. Que tipo de economia o mundo quer e como deverá ser o futuro. O Fórum é um momento especial, onde se faz uma reflexão não economicista sobre a sociedade, sem determinismos.

Na semana que vem estarei em Belém. Vou integrar uma equipe de jornalistas que cobre o FSM e distribui textos pelo mundo. E me pergunto para que vai servir este FSM em Belém? Claro que vai ter o debate amazônico, mas não deve parar por ai.

Em 2005, em Porto Alegre, havia um debate forte sobre o papel das empresas, dos grandes grupos econômicos, no processo de desenvolvimento. A ida do presidente Lula a Porto Alegre e a Davos, na Suíça, onde acontece o Fórum Econômico Mundial, mostrou a importância de se fazer um link entre as demandas sociais e as diretrizes econômicas. O cenário era outro, mais focado em problemas políticos do que em desafios econômicos. Bush e suas guerras estava com força e o “mercado” mostrava força nas principais economias do mundo.

Desta vez o cenário é de uma degradação do modelo econômico e com os Estados tendo de tirar recursos (dinheiro) da sociedade para salvar empresas e bancos. Quando um governo decide sacar recursos do Tesouro para bancar empresas e bancos este dinheiro não será usado para a educação, saúde, segurança ou qualquer outra despesa típica de Estado.

Durante anos os atores econômicos pregaram o “Estado Mínimo” para poderem atuar mais livremente. Mas na hora em que a economia quebra é o Estado que vem salvar as empresas. Não vou entrar no mérito, ao menos neste texto, se está certo ou não salvar as empresas. O que acho que deve ser debatido é o Estado. Que tipo de Estado é preciso para atuar em um mundo globalizado e, ainda assim, exercer sua soberania local com garantias para suas sociedades?

Estamos avançando pelo século XXI carregando estruturas de Estado que vêm do século XIX. Moedas nacionais estão sendo trocadas por valores globais e as economias se integram como organismos siameses. Que Estado é necessário para enfrentar estes desafios e quais são seus papéis. Educação, saúde, segurança e Justiça são papéis históricos do Estado. Nem sempre bem administrados, mas de alguma forma consensuais. E em relação ao ordenamento econômico? Não se trata mais de socialismo e capitalismo, o Estado americano nada tem de socialista e já gastou trilhões de dólares para salvar sua economia.

Nesta semana Barak Obama assume como o “presidente da esperança”. Que Estado ele quer? Com que responsabilidades?

Vamos a Belém com uma agenda fragmentada. No entanto, um tema tem de entrar na pauta: De que tamanho será e que responsabilidades terá o Estado para o Século XXI?

*Dal Marcondes é diretor de redação da Envolverde. Recebeu o Prêmio Ethos de Jornalismo em 2006 e 2008.

enviada por Dal Marcondes



17/01/2009 20:08

A bicicleta azul

por Dal Marcondes
Esta semana comprei uma bicicleta. Não fui a uma loja e escolhi um modelo moderno. Resolvi resgatar uma velha bicicleta que estava em um porão na casa de meu primo. Foi usada por seus filhos nos anos 90 e estava lá, murcha como seus pneus. Um pedal faltando e uma roda meio torta. Procurei uma bicicletaria no bairro onde moro e, para minha surpresa, não encontrei. Mas não me dei por vencido. Mandei arrumar em outro bairro.

Desde que ganhei uma bicicleta checa, verde e branca, comprada no Mappin, quando fiz dez anos, não ando mais de bicicleta. Andei muitos anos de moto, mas não de bicicleta. Bom, vou voltar a andar. Os motivos são muitos, ideológicos, para não emitir carbono, de saúde, para fazer exercícios, e agora, também, por teimosia.

Esta semana ouvi falar pela primeira vez de Márcia Regina de Andrade Prado, a cidadão ciclista que morreu atropelada por um ônibus na avenida Paulista. Uma militante consciente de seu papel e capaz de fazer opções coerentes com suas crenças. Fiquei muito comovido com a morte desta mulher valente. (leia um pouco da história aqui: http://planeta.bicicletada.org/

Bom, Márcia me convenceu de que minha bicicleta azul precisa ganhar as ruas. Um carro a menos. Menos carbono no ar. Espero conseguir manter minhas convicções com o mesmo vigor que a Márcia. Andar na minha bicicleta recondicionada/reciclada será uma forma de homenagear aqueles que não apenas “cagam regras” pelo mundo, mas fazem. E fazem a diferença. Não te conheci Márcia, uma pena.

enviada por Dal Marcondes



16/01/2009 14:07

Bons e maus exemplos na Globo

Por Dal Marcondes
Ainda esta semana comentava com amigos o quão importante é a Globo trabalhar as relações internacionais do Brasil, em especial nos últimos tempos, com China e Índia. A novela das seis chama-se “Negócio da China” e (nunca assisti) a próxima novela da oito chama-se “Caminho das Índias”. No segundo caso parece que vai mostrar ao espectador brasileiro um pouco das tradições e cultura de um grande país, que é, além de milenar, um importante parceiro comercial e diplomático do Brasil.

Mostrar a Índia como um país amigável e bom para se fazer negócios é um bom serviço que a Globo presta à sociedade brasileira. Afinal, os emergentes considerados mais importantes globalmente são Brasil, Rússia, Índia e China, conhecidos pela sigla BRICS. Uma emissora com o alcance que a Globo tem no Brasil certamente tem responsabilidades no processo de desenvolvimento do País e na formação de uma nova cultura mais aberta à globalização ou planetarização (prefiro o segundo termo) da economia.

Mas fiquei muito surpreso ao assistir na mesma Globo, no penúltimo capítulo de “A Favorita”, onde a Patrícia Pilar esteve magistral (Pronto, confessei, assisto novela), uma cena deplorável. A cena, protagonizada por Déborah Secco, onde ela, em meio a um festival de bobagens, é levada para dar a luz a seu rebento embaixo de uma árvore no quintal. Isto acontece na mesma semana em que a Unicef anuncia o crescimento da mortalidade infantil ao redor do mundo, e também do Brasil (o Ministério da Saúde nega), mas, principalmente, na mesma semana em que a organização, ligada às Nações Unidas, deu um grande destaque ao crescimento da mortalidade materna.

Esta mortalidade materna, que sempre foi muito alta no Terceiro Mundo (e ainda não saímos desta condição de subdesenvolvimento) é causada principalmente pela falta de higiene adequada e cuidados médicos antes, durante e depois do parto. Certamente a Globo não foi feliz nesta cena. Talvez o autor ou diretor ache que foi burlesco. No entanto, foi muito deseducativo.

Na Envolverde publicamos matéria sobre o assunto (não sobre a Globo, mas sobre a mortalidade de mães e filhos): http://www.envolverde.com.br/?materia=55446

Como Jornalista Amigo da Infância (JACA, como somos conhecidos),da Agência ANDI, não poderia me furtar a falar sobre isso. Uma empresa como a Globo, que tem uma política de responsabilidade social reconhecida, não pode cometer deslizes tão grotescos. (Envolverde)




enviada por Dal Marcondes



13/01/2009 17:22

Sustentabilidade se esvai pelas bordas

por Dal Marcondes

O ano começou e as expectativas de uma crise já estão fazendo vítimas entre as pequenas empresas, principalmente aquelas que prestam serviços para as grandes. Das matrizes na Europa ou Estados Unidos vêm a ordem de cortar 30%, em média, das despesas. As diretorias locais e as assessorias de comunicação se apressam em dizer que não haverá demissões e que os investimentos estão mantidos. No entanto, não estão colocando nas contas as pequenas empresas prestadoras de serviços que estão tendo seus contratos rompidos com explicações do tipo: “Você entende, não é nada pessoal, é que temos de reduzir despesas”.

Pequenas empresas que investiram forte nos três primeiros trimestres de 2008 para fazer frente ao “crescimento chinês” da economia brasileira, e que agora estão tendo de rever seus custos e demitir pessoas. O governo tem feito um grande esforço para garantir a oferta de crédito para as grandes empresas continuarem a operar, para as montadoras continuarem a vender carros ultrapassados e beberrões e para que a “grande economia” não pare. No entanto são as pequenas empresas que vão absorver os “cortes de custos” das grandes. E isto ainda não está sendo medido de fato.

No mundo real, desde que o ano começou a maior parte dos pequenos prestadores de serviços que conheço estão alertando que contratos não estão sendo renovados. Somente aqui na Envolverde tivemos quatro grandes clientes, com faturamento acima do bilhão por ano, cortando contratos menores de 3 mil reais por mês. Não há, nos cortes, juízo de valor de impacto na cadeia produtiva. E, honestamente, nem sei se teria como haver. O importante á a constatação de que conteúdos sobre sustentabilidade e responsabilidade social estão deixando de ser comprados por grandes empresas em função de redução de custos.

As bordas do mercado, aquelas áreas que alimentam os pequenos empreendedores, estão sendo arrancadas como “gordura”. Um produtor e comerciante de brindes sustentáveis me disse há alguns dias: “Na hora do aperto um produto de comunidade ribeirinha da Amazônia é trocado por uma bugiganga chinesa sem nenhum constrangimento”. As empresas cortam custos na planilha.

A crise certamente não vai engolir o Brasil, como tantas outras fizeram ao longo das últimas décadas. No entanto, mais uma vez as pequenas empresas e organizações precisam se reinventar e buscar uma gestão mais eficiente (em alguns casos com cortes na carne) e produtos e serviços inovadores. E não se trata de pedir ajuda ao governo, mas de fazer os governos verem que suas ações surtem efeitos apenas no centro dos mercados. Na periferia dos negócios, onde se aplica o Simples, as empresas precisam de apoio. É lá que o desemprego vai pegar mais pesado, onde a informalidade vai retomar força e a pirataria pode seduzir incautos.

A sustentabilidade pode ser a tabua de salvação para muita gente. Precisa ser, também, um critério a ser usado nos cortes. Não se trata de punir ineficiência, mas sim de preservar capital humano para a retomada do crescimento, que será em breve. Tenho certeza. (Envolverde)

enviada por Dal Marcondes



09/01/2009 20:04

FSM – Um outro Estado é possível

Por Dal Marcondes


O FSM de 2009 deve ser um espaço para o debate de um novo modelo de Estado, capaz de enfrentar os desafios da globalização e mesmo assim exercer seu papel na gestão do território. -

Até bem poucos meses o que se ouvia sobre o Fórum Social Mundial, que acontece em Belém na última semana de janeiro, eram opiniões que apontavam um certo esvaziamento do Fórum. Com a crise financeira o Fórum pode ganhar um novo papel no debate sobre o modelo civilizatório e econômico global. Afinal, até agora seu contraponto econômico, em Davos, na Suíça, vinha ganhando vantagem na disputa em torno de modelos de gestão e de desenvolvimento. O Estado mínimo era pregado em qualquer espaço de poder, enquanto o Estado que garante o bem estar social era pintado como um babão perdulário. Bom, veio a crise financeira e os Estados tiveram de sair de suas inércias para agir como salva-vidas das empresas e instituições financeiras. Quem está desembolsando trilhões de dólares ao redor do mundo para fazer frente às besteiras cometidas em gabinetes privados são os Estados, e de todas as matizes políticas.

Que contribuição o Fórum Social Mundial de Belém Pode dar ao debate? Na minha opinião uma das questões mais importantes para as próximas décadas é sobre “Qual é o papel do Estado?”. Já superamos as picuinhas ideológicas do Século XX, com alinhamentos automáticos e dogmáticos à direita ou à esquerda. O importante agora é saber que Estado é o necessário para os desafios deste milênio. Qual o impacto da globalização na ação do Estado enquanto gestor de territórios?

O Estado não é uma entidade autônoma e separada da sociedade que abriga. O Estado (através do governo legitimamente eleito) é gestor dos recursos de uma nação e deve ser olhado com cuidado pela sociedade em seu formato e modelo de participação da sociedade, pois as decisões devem refletir as opções e escolhas desta sociedade.

Na atual crise financeira global a sociedade brasileira não está se envolvendo em decisões fundamentais que estão sendo tomadas pelo governo. Não é um questionamento de certo ou errado, mas uma constatação sobre a autonomia do governo em relação às prioridades do País e da sociedade. Alguns exemplos de ações adotadas pelo governo, e que tem forte impacto sobre o modelo de desenvolvimento e que elegem prioridades sem uma consulta à sociedade:

* Isenção de IPI dos automóveis – São muitos milhões (talvez bilhões) de reais que não serão recolhidos aos cofres públicos. Isto vai se refletir em não investimento destes recursos em educação, saúde e outras necessidades e/ou prioridades da sociedade.

* Redução de impostos sobre financiamentos e mais oferta de dinheiro para o consumo – O movimento pela sustentabilidade vem pregando mais responsabilidade no consumo, principalmente pelos impactos no uso de matérias-primas e no descarte de resíduos.

* Apoio às montadoras – São empresas multinacionais que não publicam balanços no Brasil, não estão desenvolvendo produtos de maior eficiência energética e mal e porcamente cumprem a legislação ambiental do País.

Estas são apenas algumas das atitudes. Quem está salvando as empresas da crise internacional são os governos. No caso específico das montadoras, elas estão se socorrendo no governo, mas não tiveram nenhum pudor em desobedecer a resolução do Conama para a produção de motores capazes de rodar com diesel S50. O mesmo que algumas organizações da sociedade civil exigiram da Petrobrás no final de 2008.

O governo tem autonomia para estas decisões, sem dúvida, mas será que elas vão na direção de uma sociedade mais sustentável, ou são apenas remendos para manter funcionando um modelo de economia caduco e sem nenhum compromisso com o futuro. O Estado é uma instituição perene, os governos são efêmeros. Decisões tão permanentes para o futuro do País talvez devessem passar por instâncias mais participativas.

A democracia brasileira (igual a de muitos países) está enfrentando desafios que não existiam antes e a sociedade conta com instrumentos que ultrapassaram em muito as fórmulas decisórias adotadas no passado. A internet ainda não foi incorporada aos processos participativos, apesar de sua abrangência e capilaridade. Fora do Brasil as coisas Não são diferentes, mesmo com a eleição de Barak Obama para presidente, os cidadãos norte-americanos ainda são reféns de um modelo eleitoral do século 18, quando delegados de cada estado tinham de ir a Washington para votar. E o governo central consegue impor ao país uma guerra como a do Iraque contra a vontade da maioria da população e contrapondo os Estados Unidos à maioria do chamado “mundo livre”.

As centenas de organizações da sociedade civil, representando todo tipo de movimento social e ambiental, que estarão em Belém poderão oferecer ao mundo uma reflexão mais aprofundada sobre o tipo de Estado que este século precisa. Que tipo de participação a sociedade deve ter em um modelo de democracia baseado na participação não apenas eleitoral. Um grande desafio, já que boa parte dos cidadão acredita que democracia é apenas um processo eleitoral. Não há participação social significativa nos conselhos de saúde, educação, ambiente e outros.

O Fórum Social Mundial de 2009 não pode ficar repisando as angústias do passado. Deve olhar para o futuro e tranformar seu slogan “Um outro mundo é possível” em uma profunda reflexão de papéis. “Que Estado é necessário e possível para este outro mundo”. (Envolverde)

*Dal Marcondes é jornalista, editor da Envolverde e ganhador do Prêmio Ethos de Jornalismo em 2006 e 2008, além de Jornalista Amigo da Infância pela Agência Andi.

enviada por Dal Marcondes



07/01/2009 18:10

Diesel menos poluente

A primeira fase do acordo judicial firmado entre o Ministério Público Federal (MPF), empresas e órgãos federais para redução do nível de enxofre do diesel vendido no país está sendo cumprida. De acordo com os sindicatos de empresas de transporte coletivo de São Paulo e Rio de Janeiro, os ônibus que circulam nas duas cidades já estão sendo abastecidos com um combustível menos poluente e com quantidade de enxofre 90% menor do que o utilizado até o final de 2008.

Segundo o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado em setembro, a frota de ônibus das duas maiores cidades do país é primeira a usar o diesel menos poluente. Desde 1º de janeiro, os coletivos não podem mais rodar com o combustível tipo S500 - com 500 partes de enxofre por milhão de partes (ppm) de diesel. Só podem usar o diesel S50 - com 50 ppm de enxofre. (Envolverde)
enviada por Dal Marcondes



07/01/2009 14:47





enviada por Dal Marcondes






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Perfil

Dal Marcondes é editor da Envolverde, um site especializado em Meio Ambiente e Sustentabilidade. Durante muitos anos foi editor de economia em alguns dos principais jornais e revistas brasileiros. Recebeu em 2006 e 2008 o Prêmio Ethos de Jornalismo e foi eleito pela Agência ANDI como Jornalista Amigo da Infância. Nos últimos anos tem atuado muito na cobertura de temas relacionados à Amazônia.


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